Desde muito cedo a figura do vaqueiro habitou o
meu imaginário e existência, conheci vaqueiros de verdade, figuras
que trabalhavam duro, contra todas as intempéries do campo,
desenvolvendo jornada de trabalho de mais de 12 horas por dia e
fiel aos seus costumes e raizes, ouvir o aboio do vaqueiro, o tocar
da boiada, sempre foi um bálsamo aos meus ouvidos. Lendários
vaqueiros como Zé Cambito que montou e exerceu a profissão até os
noventa anos de idade, DEZINHO, FILÓ, ZÉ CARRASCO, ALVINO, ANTONIO
DE TITO, gente corajosa que enfrentava todos os desafios do campo,
sem lazer, sem descanso, mais sem perder a ternura e alegria. Hoje
vejo vaqueiros tocando boi de motocicleta, desprezando o gibão e a
perneira, fruto de uma aculturação que vem devastando as tradições
e a poesia de ser vaqueiro de verdade. Temos resistido aqui em
nossa terra resgatando o vaqueiro encourado, que trata e cuida do
seu cavalo com esmero e carinho, amigo das folhagens e do mato,
vaqueiros da minha terra que renascem, deixando exemplo aos seus
filhos, rompendo gerações e preservado essa figura que tem que ser
eternizada no nordeste brasileiro. eternizada pelos poderes
públicos, pois os poetas e cantadores já o eternizaram ha tempo,
como Luiz Gonzaga, Jckson do Pandeiro, Elomar. Na foto acima Bibi
da Viola com um dos vaqueiros mais famosos da região da Chapada,
"Tonhe de Tito". É tanto para falar dos vaqueiros, termino com um
aboio lindo de Elomar: MAIS FOI TANTO DOS VAQUEIROS QUE REINOU NO
MEU SERTÃO QUE CANTANDO O DIA INTEIRO NÃO MENAJA A TODOS NÃO.
Abraço e viva o vaqueiro o rei do SERTÃO. IVAN SOARES -
CANTADOR.
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